Pensamentos Desnudos
Pensamentos Desnudos

A arte e o Abandono

Eu sou passageiro,

o efêmero, inconstante.

O nunca sempre presente.

O sempre abandonante.

O que deixa pegadas

e contratos de aluguel pela metade.

Amizades na saudade

ou no esquecimento

como detrimento, ora

nas buscas e nos destinos

da minha arte pobre

sozinha, parte nobre.

Hora assim, hora assada,

mas sempre minha.

A arte e o abandono
A arte e o abandono

Pois ela sou eu,

e eu sou ela.

Concomitantes,

moradores de si mesmos.

Ela em mim e eu nela.

Minha casa confortante.

Meu amor inebriante.

Meu amigo confidente.

Minha única certeza

na alegria e na tristeza,

que me puxa ou me afunda,

que me seca ou me inunda,

mas que sempre me inspira

e que eu nunca abandono.

Amanhã
Amanhã

Amanhã, quem sabe
você aparece
na porta da frente
daquele que espera.

Amanhã, quem dera
a gente se rende
àquela minha prece
de que nunca acabe.

Amanhã, talvez
você não me esqueça
e me ame pra sempre,
não só amanhã.

Dança
Dança

Dança, do corpo, o sorriso
conselho de longa data.
Que chamem de compromisso,
anel de ouro ou de prata.

Puro sentido e prazer
Tristeza em riso desaba.
Pra sempre, seu, quero ser
na dança que não se acaba.

Acho o sentido no céu furtacor
Com a sorte daquele que crê
Eu danço na chuva do seu amor
só pra me encharcar de você.

Presente
Presente

Quem é você, que
do futuro,
de presente,
vem pra mim de outrem?

Já sonhei contigo,
te quis inimigo.
Hoje apenas quero
que venhas, espero
cessar meu cansaço
suprir o espaço
no peito latente,
futuro presente.

Mudo
Mudo

O mundo muda
e você mudou junto.
Muda, mundo mundano,
imundo, mudo, miúdo.

No fundo, não sinto e confundo
meu cargo como segundo,
de um inexpressivo infecundo
amor que não mudou junto.

Tonto
Tonto

Me confundes, paixão minha.
Te achei mas não te encontro.
Tenho andado meio tonto
só pra não andar na linha.

Chega disso, se puder
Zigue e zague, high and low.
Hora diz que sim, me quer
n’outra nunca me amou.

Ultrajante
Ultrajante

Deixe-o ser aquilo que quer.
Como se sente, homem, mulher
ou nenhum dos dois, algo além
não o tornará do mal ou do bem.

Um dia serão, de igual pra igual
ambos tratados, enfim, espere.
Ultrajante é o governo, afinal,
não o que de você o difere.

Louco
Louco

Meio avesso, meio sábio.
Nada certo, ele é louco.
Meu apreço pelo ambíguo
ódio, afeto, muito ou pouco
desafia meus sentidos
me coverte em mudo e mouco,
perturba e desorienta
se não posso, ver, tampouco.

Desesperança
Desesperança

Vácuo, escuro ardiloso
simula acolhedor ventre
me perco ao tentar vingar
pólen, ramo ou semente.

Me iludo com os distantes
Me afasto dos mais vazios
Me cego no mais brilhantes
e fujo dos mais sombrios.

Prantos ao tanto tentar
buscar meu ar de criança
Resta, a mim, contentar-
me com a desesperança.

Introspecção
Introspecção

É hora,
olhe pra dentro.
Agora
serás o centro.
Namora
teu próprio ser
que a alma
vai florescer.

Desamor
Desamor

Vez ou outra me encontro
orbitando o desamor.

Raciocino
não entendo.
Genuíno
sofrimento.
Arruíno,
que tormento
qualquer chance
fim, intento.

Outra vez, então, me encontro
orbitando o desamor.

Solidão
Solidão

Assincronias sentimentais
tecnológicas e atuais
Parcerias rasas e inconstantes
laços frouxos bem semelhantes
Almas surradas feito papel
espreitam, acatam qualquer pincel
Rogam que afaste com imposição
Com todas as cores, a solidão.

Pensamentos Desnudos
A arte e o abandono
Amanhã
Dança
Presente
Mudo
Tonto
Ultrajante
Louco
Desesperança
Introspecção
Desamor
Solidão
Pensamentos Desnudos

A arte e o Abandono

Eu sou passageiro,

o efêmero, inconstante.

O nunca sempre presente.

O sempre abandonante.

O que deixa pegadas

e contratos de aluguel pela metade.

Amizades na saudade

ou no esquecimento

como detrimento, ora

nas buscas e nos destinos

da minha arte pobre

sozinha, parte nobre.

Hora assim, hora assada,

mas sempre minha.

A arte e o abandono

Pois ela sou eu,

e eu sou ela.

Concomitantes,

moradores de si mesmos.

Ela em mim e eu nela.

Minha casa confortante.

Meu amor inebriante.

Meu amigo confidente.

Minha única certeza

na alegria e na tristeza,

que me puxa ou me afunda,

que me seca ou me inunda,

mas que sempre me inspira

e que eu nunca abandono.

Amanhã

Amanhã, quem sabe
você aparece
na porta da frente
daquele que espera.

Amanhã, quem dera
a gente se rende
àquela minha prece
de que nunca acabe.

Amanhã, talvez
você não me esqueça
e me ame pra sempre,
não só amanhã.

Dança

Dança, do corpo, o sorriso
conselho de longa data.
Que chamem de compromisso,
anel de ouro ou de prata.

Puro sentido e prazer
Tristeza em riso desaba.
Pra sempre, seu, quero ser
na dança que não se acaba.

Acho o sentido no céu furtacor
Com a sorte daquele que crê
Eu danço na chuva do seu amor
só pra me encharcar de você.

Presente

Quem é você, que
do futuro,
de presente,
vem pra mim de outrem?

Já sonhei contigo,
te quis inimigo.
Hoje apenas quero
que venhas, espero
cessar meu cansaço
suprir o espaço
no peito latente,
futuro presente.

Mudo

O mundo muda
e você mudou junto.
Muda, mundo mundano,
imundo, mudo, miúdo.

No fundo, não sinto e confundo
meu cargo como segundo,
de um inexpressivo infecundo
amor que não mudou junto.

Tonto

Me confundes, paixão minha.
Te achei mas não te encontro.
Tenho andado meio tonto
só pra não andar na linha.

Chega disso, se puder
Zigue e zague, high and low.
Hora diz que sim, me quer
n’outra nunca me amou.

Ultrajante

Deixe-o ser aquilo que quer.
Como se sente, homem, mulher
ou nenhum dos dois, algo além
não o tornará do mal ou do bem.

Um dia serão, de igual pra igual
ambos tratados, enfim, espere.
Ultrajante é o governo, afinal,
não o que de você o difere.

Louco

Meio avesso, meio sábio.
Nada certo, ele é louco.
Meu apreço pelo ambíguo
ódio, afeto, muito ou pouco
desafia meus sentidos
me coverte em mudo e mouco,
perturba e desorienta
se não posso, ver, tampouco.

Desesperança

Vácuo, escuro ardiloso
simula acolhedor ventre
me perco ao tentar vingar
pólen, ramo ou semente.

Me iludo com os distantes
Me afasto dos mais vazios
Me cego no mais brilhantes
e fujo dos mais sombrios.

Prantos ao tanto tentar
buscar meu ar de criança
Resta, a mim, contentar-
me com a desesperança.

Introspecção

É hora,
olhe pra dentro.
Agora
serás o centro.
Namora
teu próprio ser
que a alma
vai florescer.

Desamor

Vez ou outra me encontro
orbitando o desamor.

Raciocino
não entendo.
Genuíno
sofrimento.
Arruíno,
que tormento
qualquer chance
fim, intento.

Outra vez, então, me encontro
orbitando o desamor.

Solidão

Assincronias sentimentais
tecnológicas e atuais
Parcerias rasas e inconstantes
laços frouxos bem semelhantes
Almas surradas feito papel
espreitam, acatam qualquer pincel
Rogam que afaste com imposição
Com todas as cores, a solidão.

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