O hospital dos mortos vivos

"Estava em um lugar parecido com um hospital abandonado no meio de um matagal, longe de qualquer grande cidade. Procurava alguma coisa, mas não sei o que era. O silêncio do lugar só era interrompido pelo barulho das lâmpadas fluorescentes, que falhavam e piscavam, tornando o lugar ainda mais assombroso, somadas ao sangue escorrido por algumas paredes. 

Desci uma escada e fui andando muito devagar em frente a uma porta que estava aberta, o que foi aos poucos possibilitando ver o que havia dentro da sala: a imagem de uma mulher de jaleco com o rosto desfigurado, em pé e viva, braços e ombros pesados, rosto um pouco inclinado para cima, cabelos pretos e lisos. O que sobrava do semblante era sem alma, inóspito e ao mesmo tempo desesperado. Veio em minha direção com intenção de me machucar. 

Sem pensar duas vezes, me segurei na barra de metal acima da porta e chutei-a no rosto. Grunhindo estranhamente, aquela coisa caiu no chão, o que me deu tempo de fechar a porta e trancá-la para dentro.

Naquele momento, percebi que algo ruim iria acontecer comigo. Comecei a ouvir barulhos parecidos vindos de longe. Corri e desci mais escadas me perguntando se o sangue dela havia respingado na minha pele. 

Cheguei numa área grande, parecida com um hangar muito escuro, que estava com as portas abertas. Não enxergava quase nada. O breu só não era completo pois a luz do dia vinha do lado de fora. Ainda não podia sair dali pois não havia encontrado o que tinha ido buscar. A luz de fora começou a ser encoberta por dezenas, não, centenas de vultos! Mesmo não conseguindo distingui-los direito por causa da luz, sabia que eram seres como aquela mulher. Um arrepio gelado percorreu a minha espinha.

Aquele amontoado de mortos-vivos começou a correr desordenadamente na minha direção e eu corri para uma porta lateral, diferente de onde tinha vindo. O que eu procurava podia estar lá, mas teria que passar por alguns deles, que corriam muito rápido. O desespero crescia a cada barulho gutural que eu escutava. Peguei impulso em uma pequena construção de cimento para passar por cima dos que estavam no meu caminho, mas acabei ficando no meio de alguns. Chutes, ponta pés, rostos assustadores e a porta lateral cada vez mais perto…"

 

...Aí eu acordei! 

Esses meus sonhos me dão cada cagaço, mas eu adoro meu inconsciente cinematográfico. 

Fiz um sketch do que sonhei. Detalhe: eu nem curto coisas de zumbis.