Viagem à China pt4 - Os imperadores gays, base militar chinesa, praia e trabalho

Esse é o último post falando sobre o que conheci e vi na minha curta viagem à China.

Fui a um ponto turístico chamado Tianya Haijiao (O fim do mundo e a curva do mar), uma praia muito bonita. O local estava lotado de turistas, a maioria chineses. Novamente, alguns chineses pediram para tirar foto comigo por não verem sempre ocidentais loiros por lá. Engraçado e estranho. Pra retribuir o embaraço, pedi pra fazer a mesma coisa, mas foi tudo muito na brincadeira e dando risadas, eu não entendendo o que falavam, e eles não entendendo meu inglês.

Muitos casais visitam essa praia para tirar fotos com a Pedra do Amor ou passam a lua de mel por lá. Diz a lenda que um casal apaixonado pertencente a dois clans diferentes era perseguido por causa da sua união. Quando chegaram nas enormes pedras presentes na praia, se jogaram ao mar, sacrificando-se em nome do seu amor. Locais acreditam que desse gesto surgiram duas enormes pedras. Essa lenda me lembrou muito a lenda de Naipi e Tarobá, do surgimento das Cataratas do Iguaçu, pois tem alguns pontos em comum, mesmo sendo de povos de lados opostos do planeta. Ambas falam de amor, sacrifício e seres humanos transformando-se em elementos da natureza. 

Em Sanya também há uma suposta base militar secreta chinesa, lí sobre isso antes da viagem. Alguns satélites descobriram enormes construções na região da praia, um pouco ao leste da cidade, parecendo ser uma enorme zona portuária com navios de guerra. O Pentágono, intrometido e com medo da China ameaçar a soberania americana na região entre China e Oceania, pediu explicações ao governo chinês, que simplesmente ignorou o governo americano. Eu não pude ir nesse local, pois não é ponto turístico e não tinha muito tempo livre lá, mas quem sabe numa próxima vez. Leia mais e veja fotos de satélites aqui.

O trabalho

No dia seguinte pela manhã  foi o seminário para o qual fui convidado. Tudo muito pontual, organizado. Os chineses sabem muito bem tratar quem é de fora e, conversando com uma pessoa de lá, supostamente é parte da vontade que vem desde lá de cima (governo) em impressionar os estrangeiros, como se fosse uma certa "exibição" para que vejam que o país é muito bom. Se isso é verdade, eu não sei, mas fui muito bem tratado sim. O seminário foi interessante, durou algumas horas, tive que falar por alguns minutos sobre criação de mascotes (detalhe que eu não havia preparado nada, pois não sabia que deveria falar, mas foi divertido) e pude conversar com muita gente da área de design e ilustração. Depois do seminário corri para fazer as malas, fazer checkout e almoçar com alguns dos designers, a prefeita e outras autoridades. O almoço foi, novamente, super diferente, com pratos bem exóticos. Um costume que percebi é que os chineses levantam de seus lugares/mesas para brindar com outras pessoas. Servem apenas alguns mls na taça, o equivalente a 1 ou dois goles, pois ao brindar ("Ganbei!"), deve-se beber tudo num gole. Aí você volta pro seu lugar, come mais um pouco, serve mais um tiquinho de vinho, levanta, conversa e brinda de novo. E assim vai a noite inteira. 

Os imperadores gays, a liberdade sexual

Algo que realmente me surpreendeu foi conversar com algumas pessoas (uma em especial, super querida e prestativa) sobre homossexualidade no país. Soube que muitos dos imperadores chineses tinham relações abertamente homossexuais, principalmente na Dinastia Han (200a.C>220d.C). Essas informações não estão nos livros de história, mas diversos estudos e documentos históricos as comprovam. Em certos períodos isso não era visto nem como uma abominação, apesar de eventualmente haver represálias à prática. Relações homossexuais são comumente chamadas de duànxiù que significa algo como "rasgando/cortando a manga", referindo-se à história do imperador Ai'di, da Dinastia Han, que cortou a manga do seu roupão, sobre a qual dormia seu adorado amante, Dong Xian, para não acordá-lo. Leia mais aqui.

Duànxiù

Duànxiù

Fiquei sabendo de um morador da capital que em Beijing e grandes capitais é comum ver casais homossexuais de mãos dadas pelas ruas e que as pessoas pouco se importam com orientação sexual, cada um vive a sua vida. Obviamente devem haver exceções como em todo lugar, mas saber disso me surpreendeu. Conheci também uma chinesa casada que tem um relacionamento aberto e esse tipo de informação me causou uma ótima impressão da China. Talvez meu conhecimento sobre o país fosse tão raso que eu não esperava todo esse vanguardismo. Enfim, foram alguns poucos dias surpreendentes, em muitos sentidos e espero voltar em breve pra conhecer o resto do país. Obrigado, China! "Xiexie"!

Kris