Viagem à China pt3 - O veado que dá beijinho no ombro e a 4ª estátua mais alta do mundo

Em Sanya, assim como na China como um todo, a maioria das pessoas é budista. Na Ilha de Hainan também há católicos e muçulmanos, porém apenas uma pequena parcela da população. Para conhecer mais sobre o budismo, fui ao Nanshan Buddhism Cultural Zone, a 40km de Sanya. O lugar, como sempre, é muito grande, com templos, estátuas e lagos por todos os lados. Os habitantes de Sanya e cidades da região vão passar o dia neste parque no primeiro dia do calendário chinês. Visitam os templos, ascendem incenso e fazem preces nos vários pontos destinados a esse propósito.

A quarta maior estátua do mundo

Lá está localizada a 4a maior estátua do mundo, a Guan Yin Buddha. É três vezes maior que o Cristo redentor, com 108m de altura. A estátua tem três faces, uma voltada aos visitantes e duas para o mar. Todos os aviões que chegam a Sanya, circundam a estátua e dizem que é muita sorte avistar a estátua lá de cima, é preciso estar do lado esquerdo do avião e visitar Sanya fora da época de monções. Quando cheguei à Sanya à noite, consegui vê-la e fiquei bem contente, não sabia que o avião circundava o local. A estátua de perto é impressionante e o céu estava azul quando a visitei. Na ponte que leva até ela avistei um andarilho que estava peregrinando até chegar aos pés da estátua (veja fotos). Ele andava 3 passos, parava, abaixava-se, fazia uma pequena prece, levantava, dava mais 3 passos e assim por diante, por todo o caminho. Alguns chineses me falaram que não dava pra saber desde onde ele estava fazendo isso, 2, 5, 50km. Era uma forma de pagar alguma promessa, agradecer por alguma coisa, ou simplesmente demonstrar respeito e amor à Buddha. Inspirador.

O parque é muito limpo, novo e tem até música ambiente. Caixas de som foram colocadas dentro de pequenas rochas cenográficas, junto a grandes rochas de verdade com escritos em Mandarim. Posso dizer que um parque com música (chinesa) ambiente dá um outro sentido a um passeio, totalmente relaxante. 

Lá almocei um maravilhoso banquete vegetariano. O interessante sobre esse almoço é que aparentemente há carnes na mesa. Frango, camarão e salame (veja fotos) com aparência muito real, mas tudo feito de soja! Pela tradição, até temperos como cebola, alho e gengibre (e outros comumente usados em carnes) são proibidos. São vegetais, mas eles "atiçam" a vontade de comer carne, por isso são evitados. Era tudo delicioso, tantos sabores que o meu paladar ainda não havia provado! Fiz questão de experimentar tudo.

A lenda do veado que olha pra trás (ou que dá beijinho no ombro)

No final da tarde fomos na Península Luhuitou, já de volta à Sanya. Lá de cima é possível ver a cidade inteira, uma vista de tirar o fôlego. Luhuitou significa "deer looking back", ou "O veado olhando pra trás". Uma das principais lendas de Sanya conta a história de um jovem caçador que estava perseguindo o veado por essa montanha com um arco-e-flecha. Ao chegar na beira do penhasco e sem ter pra onde fugir, o pequeno animal literalmente "olhou para trás" e encarou o caçador. Uma neblina cobriu o animal por completo e ele se transformou numa bela jovem. Os dois se apaixonaram imediatamente, casaram-se e viveram felizes para sempre. No topo da montanha há uma, novamente, enorme estátua representando essa lenda. O animal ao centro, olhando para trás (mas tudo o que eu consegui pensar ao ver foi que ele estava dando um beijinho no ombro, damn you Valesca Popozuda!), de um lado a bela jovem e do outro, jovem caçador.

Lá de cima também vimos alguns macaquinhos bem de perto que os turistas inadvertidamente alimentavam. Também era possível avistar uma ilha artificial que a cidade construiu para abrigar 4 prédios gigantescos e ultra modernos (lembram alguns prédios de Dubai) que à noite se iluminam com projeções de luz super coloridas.

No último post escreverei brevemente sobre a base militar secreta chinesa, os imperadores gays e a liberdade sexual. Leia a parte 1 e a parte 2 clicando nos links. Até lá!

Kris